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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

"Eu me sentia flutuar por um jardim lotado de espinhos, cada um ficava marcado em um pedaço do meu corpo que de tão roxo já não conseguia distinguir a verdadeira cor da pele. Então… Aquilo era a morte? E onde estavam os gritos? Aonde se encontrava a luz? A luz não aparecia pra mim. E eu já havia me acostumado a viver no escuro."

Sobra tanta falta de paciência, que me desespero. Sobram tantas meias-verdades, que guardo pra mim mesmo. Sobram tantos medos, que nem me protejo mais. Sobra tanto espaço dentro do abraço. Falta tanta coisa pra dizer, que nunca consigo…

sábado, 28 de agosto de 2010


Eu te amo todos os dias e faria qualquer coisa para que você se apaixonasse por mim em todos eles, como se fosse a primeira vez.
Meu coração bate feito um martelo, difícil ser macio, duro para ser delicado. Venha ver o meu pulso, o ritmo está como um trem desgovernado.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A noite está quente, crianças brincam na rua, mas elas tem hora para entrar para suas casas, para viver o inferno com seus pais loucos.
A noite está quente, crianças brincam na rua. Enquanto outros esquentam mais ainda a sua noite.
"Tive vontade de sentar na calçada da rua augusta e chorar, mas preferi entrar numa livraria, comprar um caderno lindo e anotar sonhos."
Tinha desejos violentos, pequenas gulas, urgências perigosas, enternecimentos melados, ódios virulentos, tesões insaciáveis. Ouvia canções lamentosas, bebia para despertar fantasmas distraídos, relia ou escrevia cartas apaixonadas, transbordantes de rosas e abismos.
Cuidado: eles estão aqui: à nossa volta: entre nós: ao seu lado: dentro de você.
"Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada."

Caio F. Abreu

“Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraca para entrar.”
A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração. Sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam. Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar. Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo. A ser forte quando os que amo estão com problemas. Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho. Ouvir a todos que só precisam desabafar. Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos. A alegrar a quem precisa. A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar. (...) Charles Chaplin
"Tento me concentrar numa daquelas sensações antigas como alegria, fé ou esperança. Mas só fico aqui parada, sem sentir nada, sem pedir nada, sem querer nada."

Me tornei tão insensível que não posso mais sentir você aqui.

Quanto mais você muda, menos você sente.
Minha faca é afiada e meus pensamentos são frios.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Eu devia ter me afastado há muito tempo. Devia ir embora agora. Mas não sei se posso.